As pessoas entram na nossa vida por acaso, mas não é por acaso que nela permanecem…

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Estou convencido de que o treino do ponto de vista dos valores e da dinâmica das relações é construído através de “pequenos nadas”, isto é, pequenos pormenores – ou pormaiores – que, sem dúvida, a prática marcial tradicional contribui grandemente, os quais se relacionam com princípios morais, tantas vezes metaforizados através de situações que encontramos na prática de karaté, O efeito é sempre função de uma causa. Essa causa tem em si subjacente uma filosofia que orientará o respectivo efeito. No meu entender, estas são, sem dúvida, algumas das grandes vantagens da nossa artística modalidade.

Em primeiro lugar, uma grande polivalência e, em segundo, a capacidade de conjugar diferentes realidades.

O conceito de uma actividade com características de neuro-psico-sócio-cosmo-motricidade, integra o sentido espiritual (cósmico) do movimento e da prática que, por exemplo as dimensões bio-psico-sócio-axiológicas, tantas vezes referenciadas, não contemplam. Contudo, referenciar uma em detrimento de outra é apontar para a lua, olhando apenas para o dedo. O sumo que se extrai acaba por ser o mesmo. No fundo, a essência das coisas está naquilo que cada um procura e tem dentro de si e não nos objectos em si mesmos.

No fundo, nas aulas, como em tudo o resto a grande questão que se coloca é, eminentemente, emocional. Daí dependem as relações entre as pessoas. E dessa emoção depende ainda a manutenção da prática de karaté ou de qualquer outra arte/desporto/actividade, na medida em que a motivação é a expressão emocional de um indivíduo que se inscreve num Dojo. E, tal a quantidade de pessoas que existem – ainda nunca conheci duas iguais – terão de existir também actividades com orientações para satisfazer do ponto de vista emocional todas estas. Se queremos fazer luta livre, pois então façamo-lo. Mas, de preferência, que a humanidade ganhe algo com aquilo em que nos envolvemos.