Nascido Antes – SENSEI

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“Na vastidão dos biliões de mundos. Os verdadeiros herdeiros do Dharma são raros”
Mestre Dogen

Quando se entra no zendo, deve abandonar-se tudo e cada um deve submeter-se ao Dharma. Pôr de lado todas as opiniões pessoais e seguir o ensino dum verdadeiro mestre.
Ora se alguém está disposto a deixar tudo, já não tem nada que perder, nem nada tem a temer. Todo o cosmos está com ele.
No plano social, cada um tem as suas características, a sua personalidade. Formas diferentes, cores diferentes, preferências, particularidades. É o que se chama o mundo dos fenómenos.
Kodo Sawaki disse:
“O monge tem características próprias. Tal como o professor e o militar. O pobre tem as características. O Caminho inicia-se quando cada um abandona as suas características pessoais.
Entrar no zendo é entrar num mundo sagrado; é pôr-se em comunhão com o que a todos é comum e está para além das diferenças pessoais. Mas para isso, é necessário um mestre.
Uma das palavras japonesas que designa o mestre é sensei que se aplica também nas artes marciais.
Literalmente Sensei significa nascido antes.

Ora quando entras no zendo, pela primeira vez, encontras-te com o “nascido antes”, que é como se te estivesse esperando. No entanto, a sua espera é uma não-espera, um não esperar. Ele apenas, está.
No melhor dos casos é possível que apenas te dirija um olhar muito breve e não deves esperar dele nenhuma atenção especial.
A transmissão da postura correcta, o silêncio e a quietude constituirão sem dúvida as primeiras lições. Embora posteriormente te dês conta de que houve outras antes, e que desde o teu primeiro passo ele te está ensinando.
É possível que durante o zazen sintas que a sua presença cria uma atmosfera profunda e religiosa. As intervenções dele, em geral breves e muito precisas, dar-te-ão a sensação de que ele está em todos os lugares e de que tudo vê. E quando tu começares e idealizá-lo. quando te apetecer pô-lo num pedestal, algo sempre acontecerá que te faça assentar bem os pés na terra
A ti. Porque ele esteve sempre na terra.
No início da prática, é possível que se formem entre discípulo e mestre correntes de atracção e repulsa. Amá-lo-ás, odiá-lo-ás, voltarás a amá-lo.
Se conseguires ultrapassar esta fase, estás a dar um passo no caminho do zen.
O sensei pode ser um grande mestre, como tal reconhecido ou não, mas deves ter a certeza de que conhece mais coisas sobre ti do que tu estarias disposto a aceitar.
O seu poder de intuição é como um radar que penetra a alma profundamente. E esse acto dele não é nem mais nem menos do que o modo como ele penetra em si mesmo.
Durante o Kusen – a transmissão oral em zazen – sentirás como se as suas palavras só a ti fossem dirigidas. Sentir-te-ás radioso quando ele exaltar as tuas virtudes, e desanimado quando assinalar os teus defeitos.
E quando finalmente descobrires que mais de metade
dos teus companheiros sentiram o mesmo que tu, o teu ego desfazer-se-á em mil pedaços.
Se o teu orgulho puder tolerar tudo isto, se não perderes tempo a apanhar os pedaços, ou a tentar apanhar o que já te não serve, terás avançado mais um passo na Vida de Buda.
O ensino do mestre pode ter várias facetas, mas na essência é sempre prático, directo e sem floreios. O kusen é a sua voz – a voz do Dharma. Não se dirige ao intelecto. Não é algo que se deva aprender ou memorizar, O seu ensino é não-ensino. No entanto, é completo desde o primeiro instante. Não tem princípio nem fim.
A sua compleição física pode ser forte ou débil, o seu carácter pode ser pacífico ou enérgico, inclusive colérico. Mas o seu ensino não provém dele, passa por ele.
No livro Gakudoyojin, mestre Dogen chama a atenção para isso:
“Pouco importam a idade ou aparência (do mestre). A única coisa necessária é que esteja penetrado da lei verdadeira, e que tenha obtido a sua santificação dum mestre genuíno”.
Nos tempos que correm, a palavra mestre suscita ou admiração ou desprezo. Na escala dos salários, o professor ocupa os lugares mais baixos. E apesar disso, a imagem mais comum que deles se tem é idealizada.
No zen, ensinar é praticar com o mestre; porque é ele o exemplo e o modelo.
O seu ensino não consiste tanto no que ele diz, como no que ele faz. A sua maneira de se sentar, o seu andar, o modo como está em pé.
O mestre do zen não é um professor vulgar. Não trabalha por um salário. E no que respeita à idealização, já sabes, ele próprio se encarregará de desfazer qualquer imagem que dele faças.
O seu silêncio é às vezes mais ensurdecedor do que as suas palavras. Ele está ali, desde antes de tu chegares, e está para se oferecer. Mas atenção: ele não te vai esperar, não vai reter-te, compete-te a ti segui-lo.
Ouvi dizer muitas vezes: “Porque não posso fazer o zen sozinho?”
É que, praticando só, podes cometer erros que podem ser irreparáveis. Podes tomar a direcção errada. Podes aumentar o teu egoísmo.
Disse um mestre antigo:
“Se desde o início o espírito não é o correcto, milhares práticas de nada servirão.”
Se queres fazer uma larga caminhada, mais vale que vás em grupo. Só, é muito difícil. O grupo ajuda a manter o ritmo, aligeira as dificuldades e evita que pensemos demasiadamente em nós.
Ajudamos e somos ajudados. Partilhamos.
Graças ao Guia, podemos esquecer-nos de nós próprios, podemos abandonar os nossos projectos e ideias, e mesmo os nossos próprios conceitos.
Disse Dogen:
“A única coisa que faz falta é seguir a iluminação do outro, e a isto se chama transmissão directa, e se chama também receptividade. Porque quando nos comprometemos a seguir a iluminação do outro, já não fazemos caso das nossas ideias.”
Só com os nossos pés podemos entrar no Caminho, mas para o fazer, precisamos da orientação de um Mestre. De outro modo, o espírito da iniciação não será correcto e milhares de práticas não servirão para nada.
No budismo, costuma dizer-se que quando o discípulo está preparado, o mestre aparece. E nada mais certo!
Quando isto acontece, quer dizer que se amadureceu, que se está preparado para aprender.

Quando o mestre surge, há que segui-lo.

Tudo isto é muito singular, porque se tu te proclamas seu seguidor (do mestre), é natural que ele te diga que não é preciso seguir ninguém, que olhes para ti próprio. E isto não é uma falsidade da parte do mestre. Nem muito menos uma artimanha para incentivar os teus esforços. É apenas a expressão da sua natureza real, a sua transmissão mais perfeita.
Em cada uma das suas palavras, dos seus silêncios, dos seus gestos, todo o Dharma é transmitido.
Não há nada de oculto nele; é simples e chão. Não obstante, compreender o sentido profundo dos seus actos nem sempre é fácil. E às vezes leva mesmo anos a entender.

Kiogen (+898) foi ordenado por Hyakujó. Quando o seu mestre morreu, foi estudar com Isan (771-853).
Entre eles teve então lugar um mondo – o mondo é uma prática zen muito conhecida, que consiste essencialmente em perguntas – respostas.
Na generalidade o mondo é breve e conciso. É um encontro Shin den Shin, espírito a espírito, estranho para quem dele não participa, mas muito intenso para quem nele participa, e cujo significado normalmente transcende as palavras trocadas.
Disse-lhe Isan:
– Disseram-me que eras muito inteligente. És capaz de me dizer como era o teu rosto antes de nasceres?
Kyogen não soube que responder.
Mais tarde, nos seus aposentos, procurou as notas que tomara das palavras do seu defunto mestre mas não encontrou nada nelas que o pudesse ajudar.
Voltou para junto de Isan e propôs um novo mondo.
– Qual é a verdade do zen? Ensina-me, peço-te.
Isan respondeu:
– Não tenho nada para te ensinar. Se o fizesse cairia no ridículo. Por outro lado, tudo quanto eu pudesse dizer-te não era teu, mas meu.
Kyogen sentiu-se contrariado e triste.
Finalmente decidiu queimar as notas do seu antigo mestre, e retirar-se para uma vida de solidão, afastado do mundo, vivendo na maior simplicidade.
Abandonou Isan e construiu uma pequena choça junto do túmulo do mestre Echu (+ 775).
Um dia, quando estava a varrer o pó que se acumulava sobre uma pedra, uma lasca foi bater contra uma cana de bambu. O som emitido produziu nele um grande satori, um súbito despertar.
E compreendeu de imediato a grande compaixão de mestre Isan, a sua grande sabedoria em recusar-se a ensiná-lo. Mais ainda, naquele momento, viu com clareza que os actos de Isan foram desde o primeiro momento aqueles que deve fazer um grande mestre de transmissão.
Regressou junto dele e escreveu este poema.

Por um golpe
pelo ruído de uma lasca de pedra
pelo soar do bambú,
esqueci tudo,
reduzi a nada toda a Inteligência que ocupava
o meu cérebro.
E os meus problemas chegaram ao fim.

Um mestre nunca deve ser procurado. Não obstante, temos de o encontrar.

Diz Taisen Deshimaru nos seus comentários ao Gakudoyojin Shu:
“Um verdadeiro mestre é difícil de encontrar”
E mais adiante:
“O encontro com o mestre é um acaso, um momento privilegiado e único”.
Encontrar um verdadeiro mestre pode ser um privilégio
e ao mesmo tempo uma catástrofe para o Ego. Porque é dever dele abalar os alicerces dos nossos ideais mais queridos, O seu ensino é um ensino de vida. Não tem nenhum objectivo especial: “Não ponhais uma cabeça sobre a vossa cabeça. Não há nada a ganhar, nada a conseguir”.
O mestre não pretende fazer de ti algo que tu não sejas. Na realidade não pretende nada. O mestre limita-se a mostrar-te o devir do eterno presente.
O seu ensino é total e completo cada vez que te transmite. E se for um mestre autêntico, o seu ensino é perene, porque ele sempre está também aprendendo.
Cada encontro é sempre uma possibilidade. Com ele tudo é possível. Porque é ele que torna possível este nosso descobrir, o que torna possível que o que já está em nós, se manifeste.
O encontro com o mestre é sempre um desafio. O mestre pulveriza os nossos conceitos, sacode a nossa estabilidade, tira-nos o chão de debaixo dos pés.
Quanto mais nos prendemos a certas coisas e ideias, ele, de um só golpe, “dá a volta à canoa”, muda os nossos pontos de vista, obriga-nos a ultrapassar os contrários.

Há uma “estória” muito agradável que sempre me pareceu exemplar. É a “estória” de um mongezito que era muito apegado às suas coisas. E tanto havia insistido o mestre que as coisas tem a natureza de ku, o vazio, que ele acabou por aprender a lição. Ou pensava que tinha
aprendido.
E repetia constantemente: tudo é vazio, tudo é vazio.
Certo dia ao atravessar uma montanha encontrou-se frente a frente com um urso. “Tudo é vazio, disse o monge, este urso não existe”.
Tempo depois e já com a pança cheia, comentava o urso: “Esse monge, pobrezinho, é que não existe”.
Mestre e discípulo andam sempre juntos. Se tu afirmas ele nega. Se tu negas, ele afirma. Se tu não concordas ele concorda.
O ensino do mestre não se reduz a chegar a algum lado e lá permanecer, é sempre avançar. Porque não há onde permanecer, não há meta final. O seu ensino é um fluir constante de presente a presente. Sem pressas, sem repouso, sem matar tempo.
Se às vezes te parecer santo e outras um demónio, se a maior parte do tempo te aparece como um homem como os outros, é porque ele nunca está onde o procuramos.
O seu Dharma é a suprema liberdade: a libertação das forças que atam o nosso eu pequeno e aterrorizado.

Disse o monge Suzuki:
“Quando alguém encontra um mestre, tem que deixá-lo e manter-se independente. O mestre é necessário para conquistar a independência pessoal”.
E no Hokyo Zan Maí, mestre Tozan (807-869) escreveu:
“O filho deve seguir o pai”.
Como entender esta contradição? Não há contradição.
O mestre é esse pai que há que seguir, mantendo-nos independentes. Ele não nos abre as portas, só no-las indica. Passar ou não passar depende apenas de nós.
Mas se encontrar um mestre autêntico é difícil, segui-lo ainda mais difícil é. Às vezes, nem sequer é possível. Seguir a sua energia extraordinária, requere uma vontade que ultrapassa os limites do imaginável.
“Com ele – diz Dogen – não são as palavras escritas que importam, nem tão – pouco a compreensão”.

Tal foi o caso do monge Tosui. Tosui era chefe de um grande templo, mas abandonou tudo e foi juntar-se a uma comunidade de mendigos leprosos. Um dos seus discípulos foi atrás dele. Disse-lhe Tosui: “É difícil seguir-me, tens de deixar tudo. Esta esteira de palha é para tu dormires”.
O discípulo partiu com o mestre.
Um dia Tosui pediu-lhe que abrisse uma sepultura para enterrar um leproso falecido. Quando ele completou o trabalho, tomaram os dois o cadáver do leproso pelas mãos e pelos pés, e depuseram-no na sepultura. O cadáver exalava um cheiro pútrido e estava desfeito em pedaços. O discípulo sentiu náuseas e sentou-se para se recompor.
Depois pediu ao mestre que lhe desse algo de comer. Está ali a tua comida – disse o mestre apontando-lhe a sepultura – não esperes comer carne ou legumes.
O discípulo sentiu-se desfalecer. Não aguentava.
Disse-lhe Tosui:
– É difícil, ser meu discípulo é muito difícil; e não é possível para ti.
O discípulo caiu em choro, e Tosui continuou:
– E eu tu somos de medidas diferentes. Tu não és capaz de ser mendigo. Tu deves ser chefe de um templo.

O discípulo voltou ao mosteiro e tornou-se monge. Tosui, peio seu lado, continuou a ser mendigo e já no fim da vida foi acolhido por um rico comerciante.
Não obstante saía muitas vezes de casa do seu protector e ia dormir a um estábulo. É dele o seguinte poema:

“Vive-se mal aqui
e há pouca limpeza
mas empresto-vos este estábulo.”

Mas não é necessário dormir num estábulo. Não vale a pena imitar ninguém. Basta praticar o zazen no zendo com paciência e preseverança, todos os dias. Vigiar a postura, ter cuidado com a respiração. Respeitar as directivas.
Sob as formas mais diversas, os mestres do zen limitaram-se a transmitir uma só coisa: “conhece-te a ti mesmo”.
E se tu fores suficientemente estúpido para lhes perguntares “como”, eles responderão; “Não fiques aí parado à espera de uma coisa, onde nada há”.
A transmissão zen não é escolástica. Não se circunscreve ao zazen e ao samú. Não se limita à palavra e ao silêncio, à quietude ou á acção. Qualquer tempo e qualquer lugar servem, e o melhor é “este”, “agora”.

Depois de ensinar vários anos no monte Dayang, o monge Fuyo Dokai fundou o seu próprio mosteiro nas montanhas junto do lago Furong.
Numerosos discípulos acorriam a receber os seus ensinamentos e a todos ele dava comida e abrigo. A atmosfera do lugar era forte e concentrada, o clima rigoroso, o mestre enérgico e directo.
As refeições eram servidas duas vezes por dia: de manhã cedo e ao meio dia. A refeição era um prato único chamado genmai, e era uma sopa feita á base de cinco tipos de verduras e arroz integral.
O número de discípulos crescia dia a dia. Fuyo Dokai queria formá-los a todos, e para isso aumentou a porporção de água na sopa, de tal modo que, ao fim de um certo tempo, o genmai era apenas um caldo leve onde flutuavam alguns elementos sólidos.
Os discípulos começaram a protestar. Ouviram-se palavras de ira e discussões. Fuyo Dokai cortou todos os comentários dizendo: “Estes são os meus ensinamentos. Quem não está de acordo, saia”.
E muitos saíram. Mas ficaram os mais fortes, os de melhor constituição. E Fuyo continuou a transmissão.
Desde essa altura a genmai em algumas comunidades é conhecida pela designação de “sopa de Fuyo Dokai”.

Mestres de grandes mestres como Baso (700-788). Sekito kísen (700-790); mestres fundadores de escolas como Hogen (885-953), Ummon (864-949), Kyozan (803-887), Rinzai (?-867) e Tolzan (807-869).
Chefes de templo, directores de grandes mosteiros. Cozinheiros, mendigos e artesãos. Mestres de mil discípulos e mestres de um só discípulo.
A lista é extensa. As suas características divergentes. À força de apagar tudo que de pessoal neles havia, foram transpessoais. Singularíssimos.
Como Tokujó, perseguido pelo imperador Wu, que viveu transportando pessoas no seu bote.
Certo dia depois de haver transmitido o Dharma a Kassan (805-881) internou-se com o seu bote no rio e nunca mais voltou.
Como Kodo Sawaki, que abandonava o templo para transmitir o seu ensino nos bairros degradados frequentados por marinheiros, prostitutas e gente de má vida.
Como Nansen (748-834), Joshu (778-897) ou Ryokan (1758-1831) cujas histórias e historietas transcenderam os limites do espaço e do tempo.
E eis um poema que sempre me impressionou:

Hoje já acabei de mendigar
na encruzilhada dos caminhos,
deambulo pelo santuário de Hachiman.
No ano passado: um monge idiota.
Neste ano: nenhuma alteração.

Idiotas ou sábios, venerados ou perseguidos, os mestres da transmissão mais não fizeram do que estudar-se a si próprios”, “esquecer-se de si próprios”, carregar nos seus ombros a enorme responsabilidade de apontar o caminho.

Mestre e discípulo estão intimamente ligados. Em termos temporais um nasceu antes outro depois, mas na realidade são um só. E se encontrar um mestre é uma sorte para o discípulo, também o é para o mestre. E nem todos têm esta sorte.

Escreveu Ryokan:

Parado sob um pinheiro solitário
passa o tempo rapidamente.
Sobre a minha cabeça a infinitude dos céus.
Quem hei-de eu chamar para seguir comigo neste
caminho ?

Vejamos o caso de Kodo Sawaki.
Passa os últimos dias da sua vida em Antai-Ji. Do seu leito de doente pode ver as montanhas de Takagamine. Três dias antes de morrer disse a uma monja: “Olha bem! A natureza é magnífica. Compreendo problema dos homens. Em toda a minha vida não encontrei ninguém a que pudesse submeter-me e admirar. Mas a montanha chama-me do alto: Kodo, Kodo!” E foram estas as suas últimas palavras.

Fora do tempo, a linguagem secreta do mestre vibra para sempre. Da minha boca para o teu ouvido. Intimamente.
Transmitida / Shin den Shin, de espírito a espírito, a iluminação dos budas e patriarcas continua fresca e viva no presente.
Etienne Zeisler, discípulo directo de mestre Deshimaru e falecido prematuramente em 1990, aos quarenta e quatro anos, teve nos seus últimos tempos uma quantidade de seguidores. Comentando este facto, um companheiro disse-lhe: “De entre as muitas pessoas que aqui vêm praticar o zazen, algumas começam a chamar-te mestre. Que pensas tu disso?
Respondeu Etienne: “Que têm sorte. Têm mesmo muita sorte”.
Quando se alcança a condição de discípulo, o mestre aparece. Quando se alcança a condição de mestre, o discípulo aparece.
Encontrar um verdadeiro mestre, é um dom da Fortuna.